Quando se prepara a mala para estudar no estrangeiro, a saúde é, muitas vezes, o último detalhe em que se pensa. Mas tanto a Austrália como o Reino Unido fazem questão de que nenhum estudante internacional arranque o semestre sem uma rede de proteção. Dois sistemas distintos – o Overseas Student Health Cover (OSHC) australiano e o Immigration Health Surcharge (IHS) britânico – partilham o mesmo objetivo: garantir que uma consulta médica não se transforma num pesadelo financeiro.
Neste artigo, destrinçamos o que cada um cobre, quanto custa realmente, como funciona o processo de reembolso e o que muda quando se leva a família. Se o orçamento de um futuro mestrado na University of Melbourne ou num Russell Group do Reino Unido já está a ser esmiuçado, esta leitura ajuda a perceber onde entra a despesa com saúde – e como a UNILINK pode simplificar a escolha.
Porque é que o seguro de saúde é obrigatório?
A exigência não é negociável. Para obter o visto de estudante australiano (subclass 500), é preciso contratar um OSHC que cubra toda a duração da estadia – desde o dia de chegada até ao fim do visto. O governo australiano não reconhece seguros internacionais genéricos; apenas apólices emitidas por seguradoras registadas são aceites. Já no Reino Unido, o Student visa (antigo Tier 4) obriga ao pagamento do IHS no momento da candidatura ao visto. Sem esse comprovativo, a aplicação é recusada. Ambos os sistemas protegem o estudante contra custos médicos imprevistos, mas a forma como o fazem e o que entregam em troca varia bastante.
OSHC na Austrália: o que cobre e quem fornece

O OSHC é um seguro de saúde privado, desenhado especificamente para estudantes internacionais. As principais seguradoras aprovadas pelo Departamento de Assuntos Internos são a Bupa, Medibank, Allianz Care Australia e nib. Embora todos os planos tenham de cumprir um pacote mínimo legislado, cada seguradora acrescenta pequenas vantagens competitivas.
Cobertura base de um OSHC
O nível essencial de qualquer apólice OSHC inclui:
- Consultas de medicina geral (GP) – reembolso de 100% do valor tabelado pelo Medicare Benefits Schedule (MBS), que cobre a maior parte dos honorários. Se o médico praticar acima da tabela, o estudante paga a diferença.
- Exames complementares de diagnóstico (análises clínicas, radiografias) – cobertos segundo o MBS.
- Internamento hospitalar em quarto partilhado (público) – despesas de alojamento, bloco operatório e medicamentos administrados durante o internamento.
- Medicamentos sujeitos a receita médica – comparticipação até 50 dólares australianos por item, com um máximo anual de 300 dólares (no plano essencial da Bupa; Medibank e Allianz têm limites semelhantes, geralmente 50 AUD por medicamento, até um teto de 300-600 AUD/ano).
- Serviços de ambulância de emergência – cobertura total.
- Próteses cirúrgicas aprovadas – pelo menos o valor mínimo definido pelo governo.
Ficam de fora (ou exigem extras pagos à parte) a medicina dentária, a optometria, a fisioterapia e a maioria dos tratamentos de saúde mental não hospitalares. A gravidez e os partos estão cobertos, mas apenas após um período de carência de 12 meses – por isso, se o curso durar menos tempo, essa proteção não se ativa.
Custos reais do OSHC em 2026
Os prémios variam consoante a duração exata do visto, a idade e se o plano é individual, de casal ou familiar. Para um estudante solteiro com um visto de 12 meses, os valores anuais rondam (em dólares australianos):
- Bupa Essential Lite OSHC: ≈ 550 – 640 AUD
- nib OSHC Essentials: ≈ 560 – 650 AUD
- Medibank OSHC: ≈ 600 – 700 AUD
- Allianz Care OSHC: ≈ 630 – 720 AUD
Quem permanece três anos para uma licenciatura típica – por exemplo, um Bachelor of Commerce na University of Sydney, classificada entre as 20 melhores do mundo – pode pagar entre 1 600 e 2 100 AUD pelo OSHC total. Se vier acompanhado pelo cônjuge ou filho, o plano de casal ou familiar duplica ou triplica o custo.
Processo de reclamação (claim)
As seguradoras australianas digitalizaram bastante o sistema. A generalidade das clínicas que atendem estudantes internacionais tem acordos de faturação direta (bulk billing): o prestador envia a conta eletronicamente à seguradora e o estudante paga apenas a diferença, se existir.
Quando o reembolso é pedido depois do pagamento, o mais comum é tirar uma fotografia ao recibo e submetê-la através da app (My OSHC da Allianz, Bupa, Medibank ou nib). O dinheiro costuma ser depositado na conta bancária australiana em 2 a 5 dias úteis. Para medicamentos prescritos, o reembolso funciona de forma semelhante, respeitando os limites anuais da apólice.
Vantagens extra que fazem a diferença
Além da cobertura mínima, as seguradoras competem com pequenos extras. A Bupa, por exemplo, dá acesso gratuito ao serviço de telemedicina Blua, com consultas 24/7. A Medibank oferece descontos em ginásios parceiros e apoio de saúde mental por telefone. A Allianz inclui um intérprete médico gratuito em mais de 100 idiomas, algo valioso para quem ainda está a ganhar fluência em inglês. A nib aposta num processo de adesão rápido e numa app intuitiva. Estes mimos não alteram a proteção essencial, mas podem tornar o dia-a-dia mais confortável.
IHS no Reino Unido: acesso ao NHS mediante uma taxa única

Ao contrário do OSHC, o Immigration Health Surcharge não é um seguro privado. É uma sobretaxa paga diretamente ao governo britânico no momento do pedido de visto. Em troca, o estudante ganha o direito de utilizar o National Health Service (NHS) exatamente nas mesmas condições que um residente permanente – ou seja, a maioria dos serviços é gratuita no ponto de utilização.
Quanto custa o IHS?
Desde fevereiro de 2024, a taxa anual para estudantes e seus dependentes é de 776 libras por pessoa, para cada ano de visto (ou parte proporcional). Um mestrado de um ano no Imperial College London – consistentemente no top 10 mundial – gera uma taxa de 776 £. Se o curso durar três anos, o custo sobe para 2 328 £ (3 x 776 £). A estes valores acresce a taxa do próprio visto (490 £ fora do Reino Unido, para o Student visa). Portanto, a saúde encarece o processo de imigração, mas depois não há mais contas médicas.
Atenção: o IHS é pago à cabeça, no momento da submissão online. Se o visto for recusado, o valor é reembolsado; se a decisão for favorável, o dinheiro não volta – mesmo que o estudante nunca use o NHS.
O que o NHS oferece a um estudante internacional
Uma vez registado num médico de família (GP) local – passo que deve ser feito nos primeiros dias após a chegada – o estudante tem acesso gratuito a:
- Consultas de GP e de enfermagem.
- Internamentos hospitalares, cirurgias e tratamentos de urgência.
- Exames de diagnóstico, incluindo TAC e ressonâncias magnéticas.
- Serviços de maternidade (pré-natal e parto) sem período de carência.
- Tratamentos de saúde mental através do Improving Access to Psychological Therapies (